Tópico: Editorial

Agora: Sócrates

12 Março 2008

“Compreendo perfeitamente as razões do descontentamento dos professores”, disse a ministra da Educação em resposta à gigantesca manifestação de dia 8. Compreende, mas não se demite. A contradição é só aparente: o que assim fica dito é que o ministério – melhor, o governo – vai travar um braço de ferro para quebrar as pernas ao protesto. Sócrates tentará com isso dar uma punição exemplar ao movimento popular de oposição à sua política e calá-lo por longo tempo.


Fazer pressão

11 Fevereiro 2008

Discursando para as hostes em Alcochete, José Sócrates rejeitou “lições de esquerda” e disse não haver governo que tenha deixado tantas “marcas de esquerda” na política social. Dias depois, substituiu dois ministros com o claro intuito de neutralizar as vozes críticas vindas, precisamente, da “esquerda” situada dentro, e nas imediações, do PS.


A tentação ditatorial

10 Janeiro 2008

A decisão, congeminada por PS e PSD, de eliminar os pequenos partidos é mais um corte nos direitos democráticos estabelecidos há 33 anos. Tanto basta para qualquer força de esquerda se lhe opor. Mas, para além disso, importa ver como a medida evidencia o esvaziamento da democracia representativa.

Provou-se, bem cedo, que o voto apenas confere ao povo – reduzido à condição periódica de eleitor – a capacidade de escolher os representantes das classes dominantes que hão-de espezinhar os direitos da maioria. A distância entre as promessas eleitorais e as políticas praticadas nestas três décadas aí está para o demonstrar.


Democrática ditadura

6 Dezembro 2007

Em entrevista publicada – significativamente, a 25 de Novembro – no Diário de Notícias, Mário Soares faz rasgado elogio à política “determinada” e “corajosa” de Sócrates, e aconselha-o – “agora” – a “dialogar com o mundo do trabalho”. Ao mesmo tempo, declarando-se “chocado” com o modo “como as desigualdades sociais se agravam nos últimos tempos”, Soares diz que “tem de se lutar contra isso”.
Não faz mais do que transmitir ao jovem Sócrates a receita de um velho oportunista, mestre da arte de governar à direita piscando o olho à esquerda.


O Estado policial

7 Novembro 2007

Causou escândalo, mas não surpreendeu, a afirmação do Procurador Geral da República de que as escutas telefónicas estão sem controle. Soube-se, só agora, que entre 2003 e 2005 foram feitas mais de 26 mil escutas, ficando no segredo do poder quantas terão sido feitas de 2005 para cá. Aproveitando a maré, o ministro da Justiça reclamou uma revisão constitucional que dê às “secretas” o direito de também fazerem escutas.


O mecanismo

5 Outubro 2007

A riqueza produzida no país reparte-se hoje à razão de 60% para o capital e 40% para o trabalho – depois de ter chegado a meio por meio a seguir a 1974.
Bem reconhece o economista João César das Neves (professor, católico, de direita) que “a crise não é económica”. De facto, não é a produção, por si, ou a falta dela, que gera tamanha desigualdade. Porque é que, mesmo com baixo ritmo de crescimento, a riqueza não pára de aumentar, em volumes inéditos, nas empresas dominantes?


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