A cimeira da NATO não é bem vinda

Portugal é membro da NATO por obra do salazarismo. É tempo de mudar

Manuel Raposo
war_72dpi.jpgO site da NATO anunciou em Agosto do ano passado a realização de uma cimeira da organização em Portugal no final de 2010. O facto foi confirmado pelo presidente da República, Cavaco Silva, e a data apontada para Novembro.
Da agenda faz parte a revisão do chamado “conceito estratégico” da Aliança. O propósito é alargar o âmbito de actuação da NATO, quer no plano geográfico quer no que toca aos motivos que podem servir de pretexto para a sua intervenção. Daí, a agenda anunciada da cimeira falar tanto da guerra no Afeganistão, como de ciber-terrorismo, de ameaças ambientais, de pirataria e de segurança energética. Quer isto dizer que tudo pode ser alvo da atenção e intervenção da NATO – isto é, dos EUA e da União Europeia. Ler o resto do artigo »


Gregos não cedem

“Revoltem-se para que as medidas não sejam aplicadas”, apelam sindicalistas

Pedro Goulart
grecia_web.jpgEm 24 de Fevereiro, muitos milhares de trabalhadores, reformados e estudantes manifestaram-se por toda a Grécia. Milhares de fábricas, empresas diversas, locais de construção, portos, aeroportos, hospitais e escolas encerradas ou trabalhando a conta-gotas. Só em Atenas foram algumas dezenas de milhares os manifestantes. Combatem principalmente as medidas de austeridade que o governo grego, pressionado pela Comissão Europeia, quer impor a quem trabalha em nome do défice e da dívida pública.
Ontem, dia 3 de Março, centenas de sindicalistas invadiram o ministério das Finanças e estenderam na fachada do edifício uma faixa onde diziam: “Revoltem-se para que as medidas não sejam aplicadas!” Ler o resto do artigo »


Protesto no Porto

NATO = TERROR A SÉRIO

Cimeira da NATO vai custar mais de 20 milhões de euros, disse o ministro Luís Amado

PAGAN / MV
paganporto1.jpgNo dia 26 de Fevereiro, por ocasião da abertura oficial do 30.º Fantasporto (Festival de Cinema Fantástico), realizou-se no Porto uma manifestação contra a guerra, promovida pela Plataforma Anti-Guerra, Anti-NATO (PAGAN). Do núcleo do Norte desta Plataforma recebemos um relato da iniciativa dando conta da acção desenvolvida, da indagação feita pela polícia junto dos manifestantes e dos propósitos deste protesto, dirigido contra a realização da cimeira da NATO em Portugal, prevista para o final do ano. Tal como aconteceu com o orçamento do ministério da Defesa, parece que a crise não afecta nada do que diga respeito à NATO: o ministro Luís Amado revelou que a Cimeira vai custar mais de 20 milhões de euros. Ler o resto do artigo »


EUA invadem Haiti

Washington deu prioridade à reorganização militar, em detrimento da ajuda humanitária e de emergência

Cristina Meneses / John Catalinotto, Workers World
haitieua_72dpi.jpgA coberto de uma missão “humanitária”, os EUA ocupam o Haiti: a um exército de 13 mil homens em terra e no mar juntar-se-á, muito em breve, um efectivo de mais 4 mil. A máquina de guerra dos EUA avança com a “propaganda” a seu lado.
A 27 de Janeiro, o semanário norte-americano Workers World mostra a realidade. Duas semanas depois da catástrofe que se abateu sobre o Haiti, deixando o país sem governo, polícia ou missão militar das Nações Unidas, os EUA asseguraram a ocupação do Haiti, com o objectivo de restabelecer a ordem pela força. As forças armadas dos EUA tomaram o palácio presidencial, os bancos, o aeroporto de Port-au-Prince e os portos. No dia 14 de Janeiro, as forças norte-americanas garantiram o controlo do tráfego aéreo; na única pista em funcionamento podem aterrar 120 aviões por dia mas há 1 400 aviões que aguardam autorização dos EUA. Ler o resto do artigo »


Greve geral une trabalhadores turcos

Em solidariedade com 12 mil trabalhadores ameaçados de despedimento

Urbano de Campos
tekel.jpgCerca de dois milhões de operários e outros trabalhadores turcos levaram a cabo, em 4 de Fevereiro, uma greve geral de um dia em apoio à luta dos trabalhadores da Tekel, a empresa pública que detém o negócio de tabacos e álcool. As doze fábricas que integram a Tekel foram vendidas pelo governo turco à multinacional norte-americana British American Tobacco e os seus 12 mil trabalhadores estão ameaçados de cortes salariais, despedimentos, de passarem à condição de precários e de ficarem impedidos de se organizarem. Ler o resto do artigo »


Orçamento do Estado

A política é despedir e baixar nível de vida de todos os trabalhadores

Manuel Raposo
criancaspobres_72dpi.jpgNos dez anos decorridos desde 2000, os funcionários públicos apenas tiveram um ano (2009) em que beneficiaram de aumento real de salário; em todos os outros perderam poder de compra, com aumentos abaixo da inflação. Com o anúncio feito pelo governo – prontamente apoiado por PSD e CDS e aplaudido pelo patronato – de que não vai haver aumentos reais até 2013, os trabalhadores do Estado terão pela frente mais 4 anos de perda de nível de vida. Mas não só eles. Ler o resto do artigo »


Editorial

Sinais

Como era óbvio, o governo conseguiu facilmente fazer passar o Orçamento de Estado em acordo com a direita. Tudo para aí apontava desde as eleições de Outubro e só espanta que ainda houvesse alguma esquerda a encenar a pantomima de que poderia forçar-se um acordo parlamentar “à esquerda”.

Não haja ilusões: a esquerda não obteve nenhuma vitória nas eleições que lhe permita vislumbrar uma mudança de rumo político. O que de politicamente significativo se deu foi uma divisão de forças no bloco do poder que fez com que nenhum dos três partidos da direita tenha ascendente suficiente para governar por si. Mas, na previsão deste desenlace, o patronato apontou de imediato a via: forçar os três partidos a acordos que permitam levar por diante a política de ataque ao trabalho. Ler o resto do artigo »


Manuel Serra - a morte de um resistente

Pedro Goulart
manuelserra.jpgQuando hoje assistimos às sucessivas tentativas de branqueamento do regime derrubado em 25 de Abril de 1974, ao adormecimento cívico de parte significativa dos portugueses e a um clamoroso oportunismo da quase totalidade dos dirigentes partidários, é importante lembrar aqueles que, como Manuel Serra, lutaram duro em defesa de um ideal, não procurando, com essa luta, obter ganhos monetários ou honrarias. Ler o resto do artigo »


Denúncia

“Tratam-nos como lixo!”

Operadoras de call centers queixam-se das condições de trabalho na PT e na Optimus

call_centers_72dpi.jpgA propósito de um texto que publicámos em Outubro de 2008, denunciando o regime de trabalho a que estavam sujeitos os funcionários de um call center da TMN em Lisboa, recebemos ainda recentemente mais duas denúncias de trabalhadoras de call centers, um da PT em Coimbra e outro da Optimus. Ambas confirmam o mesmo regime brutal de trabalho, as mesmas arbitrariedades, a constante espionagem a que os operadores são sujeitos por chefes e chefetes, as ameaças de despedimento e a insegurança no trabalho. Ler o resto do artigo »


A luta dos enfermeiros pode radicalizar-se

Governo ensaiou uma primeira tentativa de redução de salários

Pedro Goulart
enfermeirosgreve2010_web.JPGOs enfermeiros portugueses desencadearam uma enérgica greve nos dias 27, 28 e 29 de Janeiro, cuja adesão envolveu cerca de 90% dos seus membros. No dia 29, levaram a cabo uma grande manifestação (na opinião dos Sindicatos, a maior destes profissionais de saúde desde 1976), que percorreu diversas ruas de Lisboa, indo do Ministério da Saúde até ao Ministério das Finanças e envolvendo cerca de 15 mil trabalhadores. Uma vitória da unidade e da disposição de luta dos enfermeiros portugueses, em defesa das suas reivindicações, particularmente do seu direito a salários dignos e a melhores condições de trabalho. Como consequência, milhares de consultas desmarcadas e de cirurgias por realizar em todo o país. Ler o resto do artigo »


O que fazem as tropas portuguesas no Afeganistão? E quem as paga?

Comunicado da Plataforma Anticapitalista

afegansantossilva_web.jpgA Plataforma Anticapitalista divulgou um comunicado em que protesta contra o envio de tropas portuguesas para o Afeganistão. Com efeito, no passado dia 25, seguiram para aquele país 20 militares, de um contingente de 150, que vão reforçar as tropas que prestam colaboração às unidades da NATO desde 2005. Actualmente, estão no Afeganistão 103 militares, dos três ramos das Forças Armadas, em funções logísticas, de apoio médico, de controlo de tráfego aéreo. Mas, a partir de agora, o contingente português (que em Fevereiro atingirá os 250 militares) passa a integrar uma força de reacção rápida destinada ao combate. A colaboração prestada pelas autoridades portuguesas à agressão iniciada pelos EUA em 2001 deixa, assim, de estar coberta como véu da “ajuda à pacificação do país” e passa a tomar parte, directamente, nos crimes que estão a ser cometidos contra os resistentes e as populações civis. É o resultado da fidelidade com que o governo e demais autoridades do Estado – aplaudidos pelo PSD e pelo CDS – têm correspondido às exigências dos EUA.
De facto, os norte-americanos reclamaram aos seus aliados, no final do ano passado, mais 5 mil homens. Em resposta, o ministro da Defesa Santos Silva disse, em Dezembro, sem sinal de vergonha na cara, que “a porta portuguesa em relação às obrigações e solidariedade com os aliados está sempre aberta”. Ler o resto do artigo »


Haiti – um povo em sofrimento

Grande parte da tragédia radica na situação económica e social há muito vivida no país

Pedro Goulart
haiti_web.jpgPrimeiro, a nossa reacção de horror face à catástrofe sísmica que se abateu sobre o povo haitiano. Com cidades arrasadas e centenas de milhares de mortos e feridos (com mais de 150 mil mortos e cerca de 2 milhões de vítimas). Depois, um forte sentimento de solidariedade com este povo oprimido e faminto. E o nosso olhar impotente face à sua luta desesperada pela sobrevivência.
Mas, também, a nossa compreensão de que o grau de destruição e morte no Haiti não pode ser atribuído apenas à magnitude do sismo. Que parte significativa dos trágicos resultados radicam na grave situação económica e social há muito vivida naquele país caribenho, com grande parte da habitação mal construída ou degradada e uma quase total falta de infra-estruturas, elementos incapazes de resistir minimamente à catástrofe. Ler o resto do artigo »


Israel e os “povos inferiores”

António Louçã
grandeditadorchaplin_72dpi.jpg“Reparem que ele está sentado numa cadeira mais baixa e nós estamos nas mais altas, que apenas existe [na sala] uma bandeira israelita e que não estamos a sorrir”.
Com estas palavras, em hebreu, Danny Ayalon dirigiu-se aos jornalistas que tinham vindo fazer a cobertura da sua entrevista com um diplomata turco convocado, em 11 de Janeiro, para receber um protesto israelita. Ayalon não é qualquer irresponsável: é o vice-ministro israelita dos Negócios Estrangeiros e braço direito do ministro Avigdor Liebermann, também ele conhecido como extremista e racista. Ler o resto do artigo »


Contra a tortura em Espanha

Não à extradição dos independentistas bascos

Carlos Completo
rubalcabaruipereira_web.jpgPerseguidos pela Guardia Civil em Espanha, Garikoitz Garcia e Iratxe Yañez entraram em Portugal, por Trás-os-Montes, onde foram presos pela GNR. Foi uma “coordenação espectacular” disse Pérez Rubalcaba, o ministro espanhol das polícias, ao referir-se à rápida detenção pela GNR dos dois independentistas bascos. “Agradeço a Portugal e às suas forças de segurança, pela sua eficácia”, acrescentou ainda Rubalcaba. As palavras do ministro espanhol são, no fundo, o reconhecimento da crescente cumplicidade repressiva entre as autoridades portuguesas e espanholas. Ler o resto do artigo »


Patrões despedem sem freio

Resposta dos trabalhadores continua a ser frágil e dispersa

PG/MR
despedimentosrohdeleardelphi_72dpi.jpgA cada mês, os números oficiais do desemprego confirmam, com atraso, o que os mais atentos já anunciavam. Em Outubro, a taxa de desemprego chegou aos 10,2% (mais de meio milhão de pessoas) e em Novembro aos 10,3% (cerca de 600 mil pessoas). Há sete meses consecutivos que o desemprego sobe. Mas os números reais serão, como em casos anteriores, mais elevados. Além dos contabilizados, estima-se que haja, pelo menos, outros 85 mil desempregados que já nem se registam nos centros de emprego. 450 pessoas batem à porta dos centros de emprego todos os meses. Calcula-se que 200 a 300 mil agregados familiares têm marido e mulher no desemprego. Entre os jovens o desemprego é de 20%, nos homens chega aos 9,6% e nas mulheres aos 10,9%. Ler o resto do artigo »


Para a tropa já há dinheiro!

Orçamento de Estado prepara-se para aumentar os gastos militares

Pedro Goulart
tropaafeg_web.jpgEnquanto os “políticos responsáveis”, os “analistas encartados” e os papagaios de serviço ao capital nos tentam convencer da necessidade de uma forte contenção das despesas nos próximos orçamentos (para eles, certamente, abaixando os gastos que ajudam a diminuir a penúria das classes trabalhadoras), surge ao mesmo tempo nos media a notícia da inevitabilidade, em 2010, do aumento das despesas com o Ministério da Defesa. Trata-se, dizem, de acrescentar mais 5% aos já elevados gastos deste ministério. Ler o resto do artigo »


O capitalismo não cria emprego, destrói emprego

Urbano de Campos
desempregosemabrigo_web.jpgDiz-se que uma mentira muitas vezes repetida passa por verdade. Será assim se não for contrariada. Diante da onda incessante de despedimentos e de encerramento de empresas, o patronato e a direita insistem no slogan – como se fosse uma evidência – de que só as empresas criam emprego, significando com isso: a iniciativa privada capitalista.
O slogan serve para pressionar a política do governo, ainda mais, no sentido do apoio estatal ao capital, da redução de impostos às empresas; e, simultaneamente, de limitação dos gastos sociais do Estado com os trabalhadores. Ora, é fácil mostrar que a afirmação é falsa. Ler o resto do artigo »


Nada a comemorar

Muro de Berlim acabou há 20 anos

Manuel Raposo
muroberlim_web.jpgComo Afonso Gonçalves assinala no artigo Berlim em 2009 (publicado em baixo), foi triste a festa com que a burguesia de todo o mundo pretendeu comemorar os vinte anos do derrube do muro. Retomo o tema reforçando a ideia de que a crise do capitalismo esvaziou a festa de qualquer sentido; e dizendo que, em toda esta história, o muro foi uma mera medida defensiva de um regime decadente, sujeito a uma ofensiva sistemática das potências capitalistas. Ler o resto do artigo »


Berlim em 2009

Afonso Gonçalves
muroberlim2_web.jpgFoi com festejos e alguma pompa que a burguesia de todo o mundo ocidental, acompanhada pela Rússia e restantes países da ex-URSS, comemoraram os vinte anos do derrube do Muro de Berlim. Em contrapartida os saudosistas da URSS viram nisso um lamentável acto de propaganda do imperialismo.
A festa, no seu balanço final, foi triste e um retumbante fiasco porque, entretanto, decorreram vinte anos cujas expectativas de melhores condições de vida trazidas pela conquista da democracia se transformaram numa enorme desilusão para os cidadãos dos países do leste europeu. Ler o resto do artigo »


Campanha contra a Guerra e contra a NATO

Pedro Goulart
nato_big_web.jpgNos dias 11 e 12 de Dezembro realizou-se em Lisboa, no Ateneu Libertário, um encontro do Comité Internacional de Coordenação (ICC) da campanha contra a Guerra e contra a NATO – No to War, no to NATO. Tratou-se de um encontro de particular importância, pois esta agressiva aliança militar imperialista pretende realizar a sua cimeira em Portugal, nos finais de 2010. Esta data representará, inevitavelmente, um momento alto de mobilização internacional contra a aliança militar reaccionária. Ler o resto do artigo »




Fugiu-lhe a boca para a verdade
O secretário de estado da Justiça, dr. João Correia, reconheceu publicamente haver “indícios de contaminação política” no Ministério Público. Embora tenha vindo posteriormente a recuar relativamente a estas declarações, o que é certo é que elas vêm na linha daquilo que Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos advogados, pouco antes afirmara: “há sinais evidentes de que o poder judicial está a funcionar segundo uma agenda política”. É pena que sintam isto particularmente quando é a sua gente a atingida. Qualquer cidadão minimamente informado, que não esteja “contaminado” pelos jogos do sistema, que não reverencie esta justiça de classe, há muito que sabe isso.
Morte de 11 pescadores
Só nos primeiros dois meses deste ano já morreram no mar 11 trabalhadores da pesca. Não há memória de Inverno tão trágico nos últimos 20 anos. São as enormes dificuldades económicas que estão a levar à saída dos pescadores para o mar em condições tão perigosas, ao aumento dos naufrágios de pequenas embarcações e à morte dos seus homens. Segundo o presidente da Mútua dos Pescadores: “ Todos precisam de perceber que a vida dos pescadores é dura e difícil, que ganham cada vez menos, que não conseguem fazer face às suas despesas e que não têm outra hipótese senão ir à procura do perigo”. É, no fundo, uma opção entre a fome e o risco de vida, a que esta sociedade os obriga.
Função Pública: greve geral a 4 de Março
O Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado e a FESAP juntaram-se ao protesto da Frente Comum, levando a cabo uma greve geral no dia 4 de Março. Os sindicatos consideram inaceitável a atitude do governo de congelar os salários dos funcionários públicos e de lhes negar o direito à negociação, assim como o ataque às suas pensões. Saliente-se que os trabalhadores da função pública, apesar dos aumentos acima da inflação obtidos em 2009, têm vindo a perder poder de compra no decorrer da última década. Com este congelamento de salários para os funcionários públicos, o governo e os patrões pretendem também apontar um exemplo para os restantes trabalhadores.
Alisuper despede 400 trabalhadores
Sessenta e cinco dos 81 supermercados da cadeia Alisuper vão fechar em Lisboa e no Algarve (era a maior rede de supermercados do Algarve) até ao fim do mês. Esta cadeia de supermercados, que já declarara falência em Agosto e cujo plano de viabilização falhara, justifica com “graves dificuldades económicas” os encerramentos que acaba de anunciar. E prevê manter apenas 16 lojas no final de todo este processo, sendo, assim, atirados para o desemprego cerca de 400 trabalhadores. Isto é, quando os lucros não são convidativos, os capitalistas mudam de local ou de ramo de investimento.
Greve em Neves Corvo
A mina de Neves Corvo, em Castro Verde, emprega 900 trabalhadores e produz anualmente mais de dois milhões de toneladas de cobre em bruto. O descontentamento em relação à Somincor, concessionária da Neves Corvo, é grande. E maior entre os trabalhadores de fundo, que trabalham a 700 metros de profundidade e reivindicam mais 100 euros mensais por um trabalho muito penoso. Contudo, a administração recusa-se a aceitar esta justa reivindicação. Assim, os trabalhadores iniciaram em 16 de Fevereiro uma greve de duas horas, no início de cada turno, por tempo indeterminado. No primeiro dia, a adesão à greve rondou os 90%. Mas a luta prossegue, pois é grande a determinação dos trabalhadores.
Sócrates: 1361 nomeações
Apesar da “crise”, o novo governo de José Sócrates, em pouco mais de 3 meses, já nomeou quase 1400 pessoas, como assessores, administrativos, adjuntos, secretárias e motoristas. Mais de 20% sem quaisquer vínculos à função pública. Nomeações, claro, entre filhos, primos, afilhados, gente do partido e amigos. Neste campo, Sócrates conseguiu mesmo ultrapassar os números dos seus parceiros do bloco central – Durão Barroso e Santana Lopes.
Serragem João Branco despede mais 21 trabalhadores
Em Agosto do ano passado, a Serragem João Branco, em São Miguel, Açores, já havia despedido 22 trabalhadores. Agora, despediu mais 21. A maioria destes trabalhadores pertencia aos quadros da empresa há vários anos. E os últimos já estavam com três meses de salários em atraso. Os trabalhadores, enganados com sucessivos adiamentos, ameaçam recorrer a tribunal, caso o proprietário não efectue o pagamento.
Um submarino para a “nossa defesa”
Em Maio próximo está prevista a entrada no Tejo do primeiro de dois submarinos adquiridos pelo estado português à Alemanha, envolvendo mais de 1000 milhões de euros. É mais um instrumento de guerra ao serviço do agressivo bloco militar da NATO. Quando, em nome da crise, os capitalistas e os seus partidos querem convencer-nos da necessidade dos trabalhadores apertarem o cinto, mais este dinheiro gasto inútil e criminosamente com os submarinos podia ser um bom contributo para o aumento de salários e pensões, assim como para a atribuição de subsídios de desemprego a quem precisa. Denunciemos vigorosamente mais este instrumento de guerra adquirido à nossa custa.
Trabalhadores gregos em luta
Milhares de trabalhadores da função pública, em greve, manifestaram-se dia 10 no centro de Atenas e Salónica. Foram gravemente afectados os serviços de saúde, os hospitais, as escolas públicas, os caminhos-de-ferro e os aeroportos. Os trabalhadores lutam contra as medidas de austeridade que o governo grego, pressionado pela Comissão Europeia, quer impor a quem trabalha. Entre as gravosas medidas previstas salienta-se: redução do salário real, restrições à contratação e supressão de benefícios fiscais. Uma das palavras de ordem dos manifestantes, também conhecida entre nós: “Os ricos que paguem a crise”. No dia 24, são os trabalhadores do sector privado que estarão em luta.
O negócio da saúde
Os quatro principais grupos privados que operam na área da saúde – Espírito Santo Saúde, José de Melo Saúde, Trofa Saúde e Hospitais Privados de Saúde – facturaram, em 2009, cerca de 700 milhões de euros, fazendo crescer o negócio 42% em relação ao ano anterior. O florescimento deste negócio deve-se ao comportamento dos governos do capital, que desrespeitando o direito dos portugueses a uma saúde gratuita, desinvestiram no sector público, mantendo os doentes meses e anos à espera de consultas, intervenções cirúrgicas e tratamentos, atirando médicos e enfermeiros para o sector privado. Uma situação, muitas vezes, trágica para os utentes do Serviço Nacional de Saúde.
Orçamento: sacrifícios só para os de baixo
No Orçamento do Estado para 2010, enquanto são congelados os salários dos trabalhadores da administração pública e penalizadas as suas pensões, o conjunto dos ministros de José Sócrates (incluindo os seus assessores, chefes de gabinete e secretariado) aumenta em mais de 3% as despesas com viagens, hotéis, telemóveis, carros e combustíveis. Isto, muito acima dos 0,8% de inflação prevista para este ano e quando o Governo deu orientação de “aumentos zero” aos vários departamentos da máquina do Estado. Bem pode o ministro das Finanças vir dizer que aceitaria baixar o seu ordenado para “dar o exemplo”. A bravata é desmentida pelos números que ele próprio aprovou para o seu governo.
Indymedia Portugal relançado
Em 30 de Novembro de 1999, reunia em Seattle, nos EUA, a Organização Mundial de Comércio, numa procura de regulação das transacções mundiais em proveito do grande capital. Aí, no decorrer das manifestações de rua contra a globalização capitalista, surgiu a ideia de uma informação alternativa, independente, face aos meios de comunicação do sistema capitalista. E hoje são numerosos os centros, a nível mundial, que seguem esta orientação. Dez anos após a revolta de Seattle, foi relançado o Indymedia Portugal (http://pt.indymedia.org). É de saudar o seu reaparecimento e desejar que venha a dar um bom contributo para uma informação diversificada e não subordinada às regras do poder.
Pela retirada das tropas portuguesas do Afeganistão
A Plataforma Anti-Guerra Anti-Nato (PAGAN) convoca uma concentração de protesto contra a participação de Portugal na guerra do Afeganistão. A acção tem lugar em Lisboa, no Arco da Rua Augusta, dia 28 de Janeiro, pelas 18 horas. A Plataforma, que colabora na campanha internacional Não à Guerra, Não à NATO, apela a todas as pessoas e organizações defensoras da paz a unirem esforços nesta campanha. Na altura, será dado início à recolha de assinaturas num abaixo-assinado que reclama a retirada imediata das tropas portuguesas da NATO destacadas no Afeganistão. Recorda-se que o contingente português vai passar de 103 para 250 militares, agora com funções de combate como força de reacção rápida.
Maria de Lurdes Rodrigues na FLAD
José Sócrates nomeou a sua ex-ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, para presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), em substituição de Rui Machete, que brevemente cessa funções. Mais um tacho para pagar serviços prestados. No caso, a fidelidade com que a ministra aplicou uma política de ataque aos professores e de desmantelamento do ensino público. Criada em 1985, a FLAD, sob a capa de fomentar o desenvolvimento, conceder bolsas, fazer parcerias, promover debates, serve de cobertura à propaganda dos EUA em Portugal. Entre 1985 e 1991 a FLAD recebeu 85 milhões de euros do governo português e detém hoje um património superior a 150 milhões de euros.
Greve e manifestação dos enfermeiros
Os sindicatos dos enfermeiros decidiram declarar greve para os dias 27, 28 e 29 de Janeiro. E manifestação a 29. Em causa está a proposta salarial do Governo, considerada humilhante e desrespeitadora dos enfermeiros, nomeadamente no que diz respeito ao início de carreira destes profissionais. A primeira proposta apresentada pelo Ministério da Saúde traduzir-se-ia, efectivamente, numa descida dos actuais salários (1020 euros) para 995 euros. Apesar de ter recuado na proposta, o governo mantém condições inaceitáveis, particularmente a nível salarial. E, assim, a luta prossegue.