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M. Gouveia
 À primeira vista, o incidente do cigarro de Sócrates não merece mais que um título “Se fumar mata, o ridículo também”.
Mas vejamos: houve uma denúncia sobre esta prevaricação do primeiro-ministro. Houve alarde em toda a comunicação social. Sócrates fez uma contrição pública. Não serão alarmantes sintomas de que estamos numa sociedade vigiada, hipócrita e moralista? E de que o exercício público da política está a ser intencional e subrepticiamente substituído por uma cultura telenovelesca para desviar a atenção dos cidadãos dos verdadeiros problemas e assim os reduzir a espectadores passivos de uma medíocre farsa, encenada para esconder a tragédia que se passa nos bastidores e de que eles são as vítimas? Ler o resto do artigo »
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Um terço dos japoneses vive de trabalho precário
João Bernardo
 Terminada a segunda guerra mundial, o Japão, ocupado pelos vencedores norte-americanos, era um país em escombros e onde as forças políticas de esquerda tinham peso e existiam sindicatos combativos. Para reforçar os sindicatos reformistas e evitar o perigo revolucionário instituiu-se o hábito de proceder a negociações anuais entre os sindicatos e as maiores empresas, em que se estabeleciam os aumentos salariais, tomados depois em consideração pelas restantes firmas. Estas negociações anuais, juntamente com o emprego vitalício garantido a numerosos trabalhadores e as promoções por tempo de serviço, constituíam a base do pacto social em que assentou a considerável estabilidade daquele país. Ler o resto do artigo »
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500 despedimentos no sector têxtil de Barcelos, só no primeiro trimestre do ano
Urbano de Campos
 No final de Abril, mais uma empresa têxtil de Barcelos, a Vilor, fechou as portas mandando para o desemprego 67 trabalhadores. Uma semana antes, uma outra empresa dos mesmos patrões, a Lor & Lor encerrou igualmente despedindo 33; e mais duas, a Districelus e a JSL, fecharam também e despediram 20 trabalhadores cada uma.
Invocando “falta de condições para laborar”, os proprietários da Vilor e da Lor & Lor anteciparam as férias dos trabalhadores – não certamente para lhes conceder esse direito mas para não os ter por perto quando fosse anunciado o encerramento que todos já anteviam. Ler o resto do artigo »
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Daniel Caribé
 Entre Dezembro de 2007 e Janeiro de 2008, quando a nova Constituição foi aprovada – e a maioria dos trabalhadores bolivianos a apoiava – intensificou-se, entre as classes dominantes de algumas províncias, o propósito de divisão do país, a que chamaram “autonomia”. Na conturbada história da Bolívia, mais um momento de convulsão social se aproximava. Ler o resto do artigo »
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INA e privados facturam milhões em "cursos" e "acções de formação"
Urbano de Campos
 O Instituto Nacional de Administração (INA), que pertence ao ministério da Economia, está a organizar acções de formação sobre a avaliação de desempenho dos professores. O curso custa 200 euros por pessoa. Como se pode ver no respectivo site, do total de nove acções de formação previstas, quatro já estão esgotadas. Em cada uma podem participar no máximo 25 professores, o que significa que só nestas quatro o INA arrecadou 20 mil euros. A Fenprof acusa o Governo de «fazer negócio à custa dos professores». Ler o resto do artigo »
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A embaixada dos EUA organiza a divisão da Bolívia
Manuel Raposo
 As forças da direita boliviana – empresários, banqueiros e grandes proprietários – movem contra o regime do presidente Evo Morales uma acção subversiva que procura travar o processo de nacionalizações e de reformas populares. Esta oligarquia, com o apoio dos EUA, reclama a autonomia em quatro das nove províncias (departamentos) do país, não por acaso as mais ricas. Ler o resto do artigo »
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Os operários, na maioria jovens, concentraram-se em protesto na entrada da empresa
Pedro Goulart / Urbano de Campos
Os trabalhadores da cervejeira Cintra, em Santarém, estiveram em greve de três horas por turno, em 30 de Abril. Protestam contra a falta de actualização salarial desde há 7 anos e contra a insegurança dos postos de trabalho. A greve responde também à interrupção, pelos patrões, da negociação do Acordo Colectivo de Empresa, que estava em curso. Ler o resto do artigo »
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Estão a mexer no nosso bolso
Faria de Almeida
 Em resposta a diversos protestos, o ministro das Finanças e o primeiro-ministro proclamaram a sua intenção de acabar com os privilégios fiscais da banca portuguesa que paga menos impostos do que a generalidade das empresas. Para além da injustiça evidente, o facto constitui um verdadeiro ultraje aos portugueses face aos elevadíssimos lucros auferidos pelo sector bancário num Portugal onde um quinto da população vive abaixo do limiar da pobreza. Ler o resto do artigo »
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A primeira paralisação de uma refinaria britânica em mais de 70 anos
João Bernardo
Em protesto contra as alterações introduzidas no sistema de reformas, cerca de 1.200 trabalhadores da única refinaria de petróleo da Escócia iniciaram a 27 de Abril uma greve de 48 horas, que obrigou a British Petroleum (BP) a fechar o oleoduto por onde passa 30% da produção diária de petróleo no Mar do Norte. Tratou-se da primeira paralisação de uma refinaria britânica em mais de 70 anos. Ler o resto do artigo »
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A precariedade é uma bomba-relógio social que acabará por rebentar nas mãos dos que dela se aproveitam
João Pacheco, jornalista, membro dos Precários-Inflexíveis
 Foi divertido ir ao programa “Prós e Contras” de segunda-feira. Passo a explicar: fui convidado a ir ao dito programa, para falar em nome dos Precários-Inflexíveis. Quando cheguei ao local (Casa do Artista, na Pontinha) conduziram-me aos camarins e disseram-me, numa escada de acesso, que afinal não iria falar. Havia muita gente para intervir e a apresentadora teria decidido que falaria apenas um dos representantes de um dos movimentos anti-precariedade, no caso o movimento FERVE (Fartos/as d’Estes Recibos Verdes). Ler o resto do artigo »
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Dossiê 25 de Abril, 1974/75 (VIII)
Rui Pereira
 Com alguma nostalgia, por ocasião dos 30 anos do 25 de Abril de 1974, apareceu nas ruas de várias cidades, pintada, a frase: “Em Novembro, é de Abril e Maio que me lembro”. Desconheço se esta poesia anónima do século XXI terá porventura um autor identificável. Mas conheço a natureza da sua origem. E esta é o sentido de uma possibilidade, não direi perdida, mas deixada por realizar, por conhecer. Como poderia ter sido Portugal, se em vez do rumo de Novembro, tivesse trilhado o de Abril e Maio?… Ler o resto do artigo »
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Dossiê 25 de Abril, 1974/75 (VII)
Milhares de trabalhadores participaram na ocupação e na gestão de empresas, de terras abandonadas ou de latifúndios
Pedro Goulart
 Aquilo que, em Portugal, ficou conhecido como Reforma Agrária foi, fundamentalmente, o produto de duras lutas levadas a cabo pelos assalariados rurais do Alentejo e do Ribatejo. E foi, inquestionavelmente, uma das grandes conquistas alcançadas pelos trabalhadores portugueses após o 25 de Abril de 1974. Ler o resto do artigo »
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Dossiê 25 de Abril, 1974/75 (VI)
Cândido Guedes
 A geração do 25 de Abril de 1974 viveu os tempos em que o grande referencial das lutas de massas eram as “fortalezas operárias”, concentrações de grandes empresas fabris com milhares de proletários, onde se situava o núcleo da luta de classes e de onde iam saindo militantes e quadros revolucionários. Essa imagem de força, de organização e de determinação caracterizou muitas greves e manifestações imponentes. Ler o resto do artigo »
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Dossiê 25 de Abril, 1974/75 (V)
 «[…] Nós, trabalhadores do “República”, somos conscientes de que estamos numa sociedade a que falta ciência e educação, a que falta, portanto, uma política de informação que em vez de mutilar as classes trabalhadoras exploradas e pobres, lhes dê o poder da inteligência e da economia. […]
É esta a ocasião propícia de proceder a uma remodelação completa da nossa política de informação, criando uma informação nas mãos das classes trabalhadoras, independente de todos os compromissos e de todas as solidariedades partidárias, inaugurando uma informação de desforra e de reabilitação, nas mãos dos explorados e dos pobres. […] Ler o resto do artigo »
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Dossiê 25 de Abril, 1974/75 (IV)
João Bernardo
Tanto quanto sei, não foi ainda realizada nenhuma pesquisa sistemática acerca da imprensa operária em 1974-1975. Folheando um jornal em que colaborei naquela época, e que se dedicava exclusivamente a noticiar as lutas dos trabalhadores, encontrei logo em Junho de 1974 menções a A Nossa Voz (quinzenário dos trabalhadores da Timex), O Novo Portuário (boletim dos trabalhadores do porto de Lisboa), A Força Operária (jornal de operários de lanifícios e têxteis), O Trabalhador de Tróia e o J ornal da Sogantal, uma pequena empresa que se notabilizou por ter sido a primeira a entrar em autogestão. Ler o resto do artigo »
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Dossiê 25 de Abril, 1974/75 (III)
João Bernardo
 A liberdade de expressão define-se hoje como o direito de comprar o jornal e de ligar a televisão. Curioso uso das palavras, porque este não é o direito de nos exprimirmos, mas de lermos ou vermos o que outros exprimem. Os jornalistas debitam as suas sentenças, entrevistam, seleccionam e cortam as declarações dos entrevistados, e de vez em quando alguns figurões são convidados para espaços de «opinião» acerca dos quais Rui Pereira já disse o que há a dizer no site do Mudar de Vida ( www.jornalmudardevida.net/?p=606). Ler o resto do artigo »
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Dossiê 25 de Abril, 1974/75 (II)
Manuel Monteiro
 Muitas pessoas, ao abordarem o resultado final do processo revolucionário de 74/75, chegam à conclusão, um tanto fatalista, que outro resultado não seria de esperar. Partem da ideia de que o que se passou foi um golpe militar, apoiado pela burguesia – ou com a sua concordância –, que visava tentar sair do atoleiro da guerra colonial, instalando, ao mesmo tempo, a democracia formal, que lhe permitisse integrar Portugal na União Europeia. Ler o resto do artigo »
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Dossiê 25 de Abril, 1974/75 (I)
Manuel Raposo
 Sobretudo entre a esquerda, criou-se a ideia de que em dado momento o 25 de Abril terá sido “traído”. A evolução da sociedade portuguesa desde 74-75 até hoje (e visto o ponto a que chegámos!) mostra efectivamente a distância que separa as esperanças populares de então das dramáticas realidades do presente.
A viragem deu-se no Verão Quente de 75 e consolidou-se com o golpe militar de 25 de Novembro desse mesmo ano. A partir de então as classes dominantes, os patrões, a direita, recuperaram continuamente o poder que fora abalado pela entrada em cena das massas populares desde Abril de 74. Mas falar de traição só serve para confundir o processo que levou a este desenlace. Ler o resto do artigo »
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EDITORIAL
O número 7 da edição em papel do Mudar de Vida sai um ano após o primeiro exemplar, experimental, do jornal. Iniciada a publicação regular em Outubro, temos mantido uma informação de ritmo diário na versão electrónica; e trouxemos para a rua sete edições mensais em papel.
Pelas reacções dos leitores, a aposta tem sido bem sucedida. Mas seria ingénuo pensar que o MV está consolidado. Ler o resto do artigo »
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Francisco Martins Rodrigues faleceu na madrugada do dia 22, em consequência de doença incurável. Muitas dezenas de pessoas estiveram presentes, no dia seguinte, no cemitério do Alto de S. João, em Lisboa, onde o corpo foi cremado, prestando homenagem ao comunista, ao combatente, ao amigo.
Francisco Martins Rodrigues iniciou a sua militância política no Partido Comunista Português na década de 1940. Rompeu com a direcção de Álvaro Cunhal em 1963, quando era membro do comité central, depois de uma progressiva e irreconciliável divergência com a estratégia de unidade antifascista. Ler o resto do artigo »
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Professores voltam à rua A Plataforma Sindical dos Professores promove no próximo sábado, dia 17, manifestações regionais de professores em Lisboa, Porto, Coimbra, Évora e Faro integradas num protesto nacional. Em Lisboa a concentração faz-se no alto do Parque Eduardo VII, às 15 horas. As exigências dos professores são as seguintes: Contra o modelo de avaliação do ministério da Educação, avaliação sim mas esta não. Contra a gestão do Sr. Director, em defesa da gestão democrática. Pela revisão do estatuto da carreira docente. Pela contagem integral do tempo de serviço. Em defesa da escola pública, em defesa de serviços públicos de qualidade para todos, por condições de trabalho dignas.
Desperdício de talentos Segundo um estudo da OCDE, Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico, que reúne 30 dos países mais desenvolvidos, quase 1/4 das pessoas que imigram para estes países possui cursos universitários, enquanto menos de 1/5 dos nativos tem instrução equivalente. Mas para os imigrantes é mais difícil obter emprego compatível com o seu nível de qualificação, desempenhando com maior frequência funções inferiores. Na Grécia este desajuste é mais de 3 vezes superior entre os imigrantes do que entre os naturais do país. No Canadá, Estados Unidos, Irlanda e Polónia, é 1,2 vezes superior. Em Portugal está acima de 1,5. Só na Nova Zelândia esta relação é um pouco desfavorável aos nativos. A este desperdício de talentos chama-se “mercado mundial do trabalho”.
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